Amo vc Pati...
by Jana Flauzino

Olá Queridas Mulheres Guerreiras!!!
"Hoje fui abordada pela família de uma criança muito especial que atendo no HC...
Meio sem jeito, parecendo angustiado, o pai me pergunta como consigo trabalhar num lugar tão difícil...mais adiante completa como consigo estar sempre sorrindo, pegar,beijar e abraçar tantas crianças sem sentir-me mal...(na verdade acho mesmo que ele queria saber como consigo ser “babada” e “vomitada” e continuar sorrindo.)
Fui ouvindo aquele pai e me aproximando do seu filhinho de quase 2 anos...O menino muito atento aos meus lábios (sempre com aquele suave batom vermelho, é claro!!!), esboçou um largo sorriso enquanto eu dava um estralado beijo no pedacinho de braços (chamamos de“coto”)que ele descoordenada mas insistentemente tentava balançar...
Por algum tempo fiquei em silêncio apenas admirando aquela criança e desfrutando da alegria que ela estava me presenteando. Perdi a noção do tempo me entretendo com os movimentos daqueles braçinhos minúsculos, que mesmo desprovidos de mãos, acariciavam verdadeiramente o meu rosto...
Quando me dei conta, a mãe do menino que pouco havia conversado comigo, se levanta e chorando me abraça forte e agradece. A Sra. não imagina como o seu carinho faz diferença na vida do meu filho, disse ela. Eu sei que toda a equipe de médicos, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas e até mesmo a Sra. tem trabalhado para que ele se movimente, principalmente movimente os braços, mas foi o seu rosto que o meu filho quis acariciar primeiro. Esta é a 1ª vez que ele consegue fazer isto e foi na Sra.... Por favor, continue amando o meu filho.
Ele precisa disto e nós também...
Meio atordoada, agradeci, comemorei com a criança com muitos beijos e cheirinhos no cangote e voltada para o falante papai respondi:
_ Sr. Hélio, há muito tempo eu decidi ser feliz em toda e qualquer circunstância. Acostumei a me sentir feliz já pela manhãzinha, quando tenho a maravilhosa oportunidade de acordar para mais um dia. Nesta decisão incluí, tentar fazer feliz as pessoas a minha volta....
Quando encontro com alguém que também tomou esta decisão tudo fica mais fácil. O seu filho decidiu ser feliz mesmo sem ter as mãos, e é por isto que a cada dia ele mesmo se supera, supera suas dores, dificuldades e limitações. Não é uma tarefa fácil, aliás é bastante trabalhoso, mas é um exercício que nos torna cada dia melhores e cada vez mais felizes. "
Nos despedimos novamente e prossegui com o meu dia, certa de que este é o meu caminho...
Queria partilhar com vocês esta experiência e desejar a todas um dia tão maravilhoso e especial como o meu!!!
Beijos mil
Patricia Luciane Santos de Lima
Terapeuta Ocupacional do Hospital de Clinícas de Ctba

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